Confiabilidade humana - PCS5006

22.10.06

Seção 17, partes 1, 3, 4 e 5. (Resumo/Motivação)

Livro: The Standard Handbook for Aeronautical and Astronautical Engineers
Autor: Gideon, Francis C
Editora: McGraw-Hill, 2004

Segurança (safety) de Aeronaves

Os programas de segurança (safety) das empresas, sejam elas de aviação ou não, existem por diversas razões. Alguns deles são requisitos exigidos por lei e determinam a forma como o avião será desenvolvido nas suas diversas fases (projeto, construção, manutenção e operação). Muitos desses programas foram instituídos em resposta aos acidentes e implementam lições aprendidas de suas investigações.

Os acidentes levam geralmente a custos extremamente altos. Primeiro, há o custo da perda da aeronave, que considerando o valor desses veículos é uma perda considerável independentemente do tamanho da organização. Existe também o custo da perda de vidas e danos à propriedade. Aumentando a lista, outros custos indiretos como admissão e treinamento para substituição de pessoal, limpeza de ambiente, perda de uso do equipamento, aumento do uso do equipamento restante, taxas legais e processos, prêmios de seguros de vida, custos de ações corretivas, dentre outros. Se a posição financeira da organização não estiver muito forte, a perda de negócios e prejuízo à reputação pode destruí-la.

Os acidentes na aviação têm uma característica bem particular, pois envolvem normalmente um grande número de mortes associados a uma única queda de aeronave. Eles ganham bastante atenção da mídia não importa a parte do mundo em que caiam.

Há também uma razão moral para proteger os trabalhadores, clientes e outros membros associados com a operação. Trabalhadores que percebem que seu trabalho não está exposto a riscos excessivos são mais produtivos. Clientes confiantes estão mais provavelmente satisfeitos e retornarão para fazer negócios.

Um programa de prevenção de acidentes é simplesmente uma prática inteligente para qualquer organização para conduzir seus negócios. Muitas das coisas que fazem uma aeronave segura (safe) para operar, também fazem-na mais confiável e lucrativa. Prevenir acidentes minimiza os custos e mantém a organização funcionando.

Contudo, safety não está em primeiro lugar nestas organizações. Se estivesse, as companhias aéreas teriam que estacionar suas aeronaves, porque voar envolve a aceitação de alguns riscos. A missão da organização vem em primeiro lugar, e seu programa de segurança (safety) suporta sua missão.

O propósito de um programa de safety é prevenir acidentes. Um programa efetivo identifica e elimina causas de acidentes em potencial antes que ele ocorra. Para que seja efetivo, o grupo de safety deve gerenciar as inspeções, danos e investigações de incidentes, a educação, treinamento e outros elementos do programa. Corrigindo problemas que levam às falhas e criando uma estrutura na organização que conduza a prevenção de acidentes é uma função que deve fazer parte em todos os níveis funcionais da empresa.

Uma vez que tenha acontecido, a investigação de um acidente ou incidente pode trazer uma oportunidade de descobrir e corrigir deficiências no sistema. É uma forma de prevenir que aconteçam acidentes similares ou outros novos tanto dentro da companhia aérea quanto nas suas concorrentes. A investigação deve não só indicar o que aconteceu e quando, mas também deve perguntar como e por que ocorreu. A conclusão não deve se ater somente a última pessoa que cometeu o erro, deve ir além do óbvio. Deve-se perceber que diversos fatores combinados conduzem ao acidente.

O gerenciamento de risco é essencialmente um enfoque de senso comum baseado nos modelos padrões de tomada de decisão. A idéia básica é gerenciar riscos relacionados a safety para alcançar-se um nível de risco aceitável. É importante reconhecer que o risco é inerente em toda operação, sistema e processo. Poucas são as coisas perfeitas, se é que existe alguma e igualmente não muitas são absolutamente seguras. Então quão suficiente segura alguma coisa é? A resposta é qual nível é aceitável dada uma situação particular. O gerenciamento de risco é o centro da metodologia de tomada de decisão que suporta a aquisição de balanço adequado entre risco e oportunidade. Diversos modelos de gerenciamento de risco são utilizados. Um desses modelos é baseado em seis passos:

1. Identificar danos
2. Estimar riscos
3. Considerar opções
4. Tomar decisões
5. Implementar controles
6. Avaliar efetividade

Após o sexto passo, pode existir a necessidade de refinamentos retornando ao primeiro.

Comentário

Os projetos com os veículos aéreos não tripulados (VANTs) precisam ter a mesma preocupação com acidentes e sua investigação, além de uma adequada análise de riscos. Os grupos de estudo dessas aeronaves não tripuladas não podem contribuir negativamente para o crescimento desses números. É preciso leis e uma política sólida que não torne os VANTs uma ameaça à segurança do espaço aéreo, pois caso isso aconteça os projetos de VANTs existentes ao redor do mundo estão condenados ao fracasso e ao esquecimento.